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Presidenciáveis apresentam suas visões para o agronegócio em sabatina na CNA

quinta, 07 de agosto de 2014 às 10h53
Em fala a empresários do agronegócio, a presidente Dilma Rousseff recebeu críticas por não fazer propostas concretas para o setor num eventual segundo mandato.

Aécio Neves (PSDB), que esteve mais confortável por falar a um público que, majoritariamente, o apoia, recebeu elogios dos produtores.

Já o pessebista Eduardo Campos foi cobrado pelas posições de sua vice, Marina Silva, historicamente adversária do setor. O discurso de Campos, contudo, também foi bem avaliado, mesmo com queixas de seu estilo "cauteloso" ao tratar de meio ambiente em sua apresentação.

Os três foram sabatinados nesta quarta-feira (6) em evento promovido pela CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil). Na semana passada, falaram à indústria em encontro similar feito pela CNI (Confederação Nacional da Indústria).

"Dilma foi bem, mas ficou muito no balanço", afirmou o presidente da CNA, João Martins da Silva Júnior.

Nos temas mais sensíveis ao agronegócio, como reforma agrária e demarcação de terras indígenas, os três fizeram acenos favoráveis aos empresários e evitaram se comprometer com o avanço dessas agendas.

Neste ponto, Aécio foi o mais incisivo. "As fazendas invadidas não serão desapropriadas por um prazo de dois anos, como sinalização clara de que respeitamos o direito de propriedade", afirmou. Ele disse que vai atuar para que assentamentos gerem renda.

Em um ponto, tanto Aécio quanto Dilma concordaram: ambos afirmaram não serem favoráveis que apenas a Funai (Fundação Nacional do Índio) cuide das demarcações de terras indígenas.

Por isso, Dilma lembrou que determinou ao Ministério da Justiça a revisão das normas de demarcação.

Diante de uma plateia avessa ao tema da desapropriação de terras rurais, Dilma disse ter feito "a maior reforma agrária do país", contabilizando dados também da gestão Lula, e afirmou que está investindo na infraestrutura dos assentamentos.

Eduardo Campos fez críticas ao desempenho do atual governo nessas duas áreas, mas evitou se comprometer com metas e ações concretas ao ser questionado por jornalistas após sua apresentação.

ETANOL
O setor que mais fez críticas a Dilma foi o do etanol, que a presidente deixou de mencionar em seu discurso, causando desconforto.

Campos, na verdade, fez apenas uma breve menção, ao citar que o país precisa de investimentos em combustíveis alternativos e dos empregos que a indústria da cana está perdendo com a crise que afeta o setor.

O empresário Maurílio Biagi Filho disse ser "inquestionável" que a presidente tomou medidas importantes para a agricultura, mas destacou que ela "não mencionou a crise" enfrentada pelos usineiros e que "o tema está sendo tratado com desleixo pelo governo", acrescentando que 70 usinas de álcool quebraram desde 2008.

A questão do etanol só foi mencionada por Dilma durante entrevista a jornalistas. Segundo ela, está em estudo o aumento da mistura de álcool na gasolina de 25% para 27,5% como forma de auxiliar o setor a sair da crise.

Aécio também prometeu criar um "superministério da Agricultura", que incorporaria outros setores do governo, como o Ministério da Pesca.

Segundo ele, o "superministério" não ficará subordinado à Fazenda e o ministro terá assento nos principais conselhos que tratam de investimentos e infraestrutura.

Por AGUIRRE TALENTO, EDUARDO CUCOLO, NATUZA NERY, RENATA AGOSTINI, VALDO CRUZ

Fonte: Folha de São Paulo